Mostrando postagens com marcador mitos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mitos. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de abril de 2009

Dia de Índio

Oi gente,

<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Hoje é dia de índio, apesar de não ver comemorações e nem mesmo ameças de lembranças sobre o por que hoje é dia de índio, já que me parece que este "dia especial" fica restrito a lembrança das professoras em escolas de educação infantil, pensei que poderíamos aqui falar um pouco sobre coisas de índios.

Ouço alguns se questionarem sobre o por que um dia especial para índios ou negros, será que isso não incita a preconceitos ?
Respondo de minha parte que não acho !
Mas, ha de se levar em conta que banalizado como estão, estes dias também não geram reflexões que culminariam em uma convivência melhor entre todos e necessariamente DIREITOS HUMANOS garantidos.
O fato é que estes - negros, índios - sempre foram menorizados nesta cultura branca, opressora e exploradora, e temos aí exemplo concretos como a dificuldade de reintegração das terras aos índios do centro- norte do país, por exemplo.

Os dias comemorativos, hoje já quase não lembrados, são uma ponte a consciência sobre como queremos viver, com quem e a que preço ?! Porem, despidas de simbolismos, estas datas, serve a reforçar o que já há mais de 500 anos se tem feito às culturas diferentes nas Américas. Culturas estas que com seus símbolos e valores "estranhos" ao hegemônico, que em sua visão opressora à nada servem , apenas servem para atravancar o "progresso", a qualquer custo, a qualquer preço...

Se hoje é dia de índio, é por que devemos nos elevar ao menos neste dia à sua SABEDORIA e APRENDER com eles símbolos e valores diferentes desses de opressão, ganancia, e poder a qualquer custo.
E é na tentativa de nos ajudar a entrar em contato com este mundo mítico indígena e dele extrair sabedoria, que posto aqui o mito de criação do mundo contado pelo povo Munduruku (Mito Tupi) e recontado por Daniel Munduruku no livro : Contos Indígenas Brasileiros da editora Global
<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>


DO MUNDO DO CENTRO DA TERRA AO MUNDO DE CIMA

No antigo tempo da criação do mundo com toda sua beleza, os Munduruku viviam dispersos, sem unidade e guerreando entre si. Esta era uma situação muito ruim que tornava a vida mais difícil e indócil. Foi aí que ressurgiu Karú-Sakaibê, o Grande Criador, que já havia realizado tantas coisas boas para este povo.
Contam os velhos que foi ele quem criara as montanhas e as rochas soprando em penas fincadas no chão. Eram também criações dele os rios, as árvores, os animais, as aves do céu e os peixes que habitam todos os rios e igarapés.
Karú-Sakaibê, tendo percebido que o povo que ele criara não estava unido, decidiu voltar para unificá-lo e lembrá-lo como havia sido trazido do fundo da terra quando ele decidiu enfeitar a terra com gente que pudesse cuidar da obra que criara.
assim contam os velhos sobre a vinda dos Munduruku ao mundo de cima:
Karú-Sakaibê andava pelo mundo sempre em companhia de seu fiel amigo Rairu, que embora fosse muito poderoso, gostava de brincar e se divertir. Um dia, Rairu fez uma figura de tau juntando folhas, gravetos e cipós. Era uma imitação perfeita. Tão perfeita que o jovem brincalhão resolveu colá-lo com resina feita com cera de mel de abelha para que seu desenho nunca desaparecesse. Para secar a resina Rairu enterrou seu "tatu" embaixo da terra deixando apenas o rabo para fora. Porém, quando ele tentou, depois de algum tempo, retirar sua mão do rabo não conseguiu, pois a resina havia secado e ele ficara grudado no rabo do tatu.
Como Rairu tinha um grande poder, deu vida ao desenho e este, em vez de querer sair do buraco, foi adentrando-se cada vez mais, carregando consigo o pobre rapaz preso ao seu rabo. Por mais que tentasse se soltar não conseguia. O tatu-desenho foi cada vez mais fundo e quando chegou ao centro da terra, Rairu encontrou muita gente que por lá morava. Tinha gente de todo jeito: algumas eram bonitas, outras eram feias; algumas eram boas e outras eram más e preguiçosas.
Rairu ficou tão impressionado com aquilo que decidiu sair rapidamente do buraco para contar a Karú-Sakaibê, que já devia estar preocupado com sua demora. E estava mesmo. Karú irritou-se tanto com seu companheiro que decidiu castigá-lo, batendo nele com um pedaço de pau. Para se defender o jovem contou sua aventura ao centro da terra e como ele havia encontrado gente lá. Estas palavras chamaram a atenção de Karú, que decidiu trazer toda esta gente para o mundo decima.
Rairu ainda perguntou como poderiam fazer isso se eles estavam tão longe. O herói criador nem sequer deu ouvido ao jovem. Começou a fazer uma pelota e enrolá-la na mão. Em seguida jogou a pelota no chão e imediatamente nasceu um pé de algodão. colheu, então, o algodão e com suas fibras fez uma corda que passou na cintura de Rairu e ordenou que fosse ao centro da terra buscar as pessoas que ele vira.
Rairu desceu pelo mesmo buraco do tatu. Quando chegou reuniu todo mundo e falou das maravilhas que havia no mundo de cima e que queria que todos subissem pela corda para conhecer este novo mundo. Os primeiros a subir foram os feios e os preguiçosos, qor que estes imaginavam que iam encontrar alimento com muita facilidade nunca mnais precisariam trabalhar. Depois subiram os bonitos e formosos.No entanto, quando estes últimos já estavam quase alcançando o topo, a corda arrebentou e um grande número de gente bonita caiu no buraco e permaneceu vivendo no fundo da terra.
Como eram muitos, Karú- Sakaibê quis diferenciá-los uns dos outros. Para que uns fossem Munduruku, outros Mura, arara, Mawé, Panamá, Kaiapó e assim por diante. Cada um seria de um povo diferente. Fez isso pintando uns de verde, outros de vermelho, outros de amarelo e outros de preto. No entanto, enquanto Karú pintava um por um, os que eram feios e preguiçosos adormeceram.
Esta atitude das pessoas feias irritou profundamente o herói criador]. Como castigo por sua preguiça, Karú-Sakaibê os transformou em passarinhos, porcos-do0mato, borboletas e em outros bichos que passaram a habitar a floresta.
No entanto, àqueles que não eram preguiçosos ele disse:
- Vocês serão o começo, o princípio de novos tempos e seus filhos e os filhos de seus filhos serão valentes e fortes.
E para presenteá-los por sua lealdade, o grande herói preparou o campo, semeou e mandou chuva para regá-lo. e tão logo a chuva caiu nasceram a mandioca, o minho], o cará, a batata-doce, o algodão, as plantas medicinais e muitas outras que servem, até os dias de hoje, de alimento para esta gente. Ainda os ensinou a construir os fornos para preparar a farinha.
Contam nossos avós que foi assim que Karú-Sakaibê transformou a grande nação Munduruku num povo forte, valente e poderoso...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"Homens e mulheres adoram Iemanjá e a chamam de mãe, e ela os aceita como filhos. Eles a Chamam de Iemanjá, que na lingüa dos orixás quer dizer Mãe dos Peixes. Ela também é chamada de Odoiá, que é o mesmo que Minha Mãe, Nossa Mãe, ou Nossa Senhora. " (Prandi, 2007, p. 53)

"Houve um tempo que Iemanjá era casada com Oxalá, o Grande Orixá. Ela tinha como missão tomar conta de Oxalá e de sua casa.Mas Iemanjá achava que a missão não lhe dava o prestigio merecido. Cuidar de Oxalá era um encargo honroso, mas para ela isso era pouco, queria uma tarefa grandiosa, em que pudesse usar de poderes que os demais invejassem. Oxalá era o pai de todos os seres humanos, não era? Então, sendo casada com ele, ela era a mãe. Queria honra maior? Ela queria . Queria ser chamada de mãe, sim, mas que fosse por seu próprio mérito, e não por ser casada com o Criador. Enquanto cozinhava para Oxalá, preparava seu banho, alvejava suas túnicas brancas, Iemanjá falava sem parar. Queria tanto fazer alguma coisa de grande, ter uma missão que a tornasse indispensável, estar verdadeiramente à altura de Oxalá, o Grande Orixá.
Tanto falou no ouvido de Oxalá, tanto reclamou que ele enlouqueceu.
E agora? Iemanjá se assustou. O que diriam os outros? em vez de cuidar de Oxalá, ela o fizera adoecer. Certamente seria castigada, nunca teria os poderes que almejava.
Iemanjá tratou de curar a cabeça de Oxalá. Com a ajuda de Exu e Ossaim, que sabia tudo sobre o poder curativo das plantas, Iemanjá preparou banhos e ungüentos para a cabeça de Oxalá, fez oferendas, cuidou para que ele repousasse num ambiente todo branco, limpo e silencioso, rezou. Em pouco tempo Oxalá ficou bom da loucura, sarou.
Olorum gostou do resultado e ordenou que, a partir de então, Iemanjá cuidasse da cabeça de todos os homens e mulheres. Demonstrara ter talento para isso...
...Agora sim. Os humanos sabiam que Iemanjá tinha força para ajudar os loucos, os deprimidos, os de mente fraca... Os humanos dançavam para ela e a chamavam de Mãe das Cabeças, Mãe da Humanidade." (pag.40-43)
Reginaldo Prandi, Contos e Lendas Afro-brasileiros - A Criação do Mundo, Cia das Letras, 2007
Joana Lira, Ilustrações.